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segunda-feira, 27 de junho de 2016

::: VOCÊ SABIA? Papas Negros

27/06/16

      ::: PAPAS NEGROS :::       

A Igreja Católica já teve três papas africanos. Vítor I (189-198), Melquíades (311-314) e Gelásio I (492-496) assumiram numa época de relações estreitas entre a Igreja e o Oriente. Alexandria, Cartago e Hipona eram cidades chave para o domínio cristão – e cargos relevantes foram destinados a homens dessas regiões.

“Até o século 5, houve um forte intercâmbio entre a Itália e o norte da África”, diz o bispo gaúcho Zeno Hastenteufel, especialista em história da Igreja. “Mas, embora fossem africanos, os papas não eram negros.” Devido à mistura de raças na região, é mais provável que eles fossem mestiços – pardos, num termo usado hoje. A confirmação é difícil, pois não há referências da época. “Os primeiros papas só foram retratados séculos depois, em imagens que não passam de uma representação simbólica”, diz o teólogo Fernando Altemeyer, da PUC de São Paulo.

Houve três papas africanos que vieram de uma região do norte da África, onde os povos eram predominados negros. Embora não haja nenhum retrato autêntico destes papas, há desenhos e referências na enciclopédia católica a respeito de ser africano. Os nomes dos três papas africanos são Vencedor ou Victor, Gelasius e Melquiades ou Miltiades . 

Todos são santos:-

* São Vitor I - natural da Tunísia/ África, foi sucessor de Santo Eleutério no trono pontifício e foi o 14o. papa da Igreja Católica. Apóstolo rigoroso no zelo pela Igreja de Cristo, tinha pleno conhecimento de suas atribuições conferidas por Deus. Pôs em evidência a autoridade papal, combateu constantemente a heresia. Estabeleceu que qualquer tipo de água, quer seja de um rio, mar ou outras fontes, poderiam ser utilizadas no batismo, no caso de faltar água benta. Outra contribuição importante foi que Vítor apoiou o domingo como dia sagrado, em substituição do sábado, em memória da ressurreição de Jesus Cristo. Foi Vítor também quem determinou a fixação do dia de celebração da Páscoa, excomungando todos os bispos que se opuseram à mudança.


* S. Gelásio I - de origem africana. Eleito em 1º de março de 492, instituiu o Código para uniformizar funções e ritos das várias Igrejas. Amou os pobres e viveu na pobreza. Por sua caridade, foi chamado "Pai dos pobres". Defendeu a supremacia da Igreja e permaneceu firme contra as heresias do Oriente. Viveu em vida de oração e insistia com os presbíteros para que fizessem o mesmo. Morreu em 21 de novembro de 496.


* São Melquíades - também da África, região norte, talvez um berbere e foi 32o. papa, sucessor de Santo Eusébio, em 311, quando Máximo era imperador romano. Em 312, Constantino subiu ao trono, oficializando a prática da religião cristã. Foi um tempo de expansão do cristianismo. São Melquíades trabalhou intensamente para recuperar os bens da Igreja, que haviam sido confiscados durante a perseguição. Zelou também pela integridade da fé cristã, ameaçada pelas heresias de Donato e de Ceciliano. Para pôr fim às dissenções internas da Igreja, convocou um concílio em 313, onde procurou a reconciliação e a união dos corações divididos. Santo Agostinho o chamou de "filho da paz e pai dos cristãos". Morreu no dia 10 de janeiro de 314 e foi enterrado no cemitério de São Calisto.


Além destes papas temos vários santos de pele negra, que fizeram muito pela Igreja de Cristo. Vamos aos santos negros:-
* S. Mauricio, S. Mônica, S.Efigênia, S.Antonio de Cartageró, S.Elesbão, S.Benedito, S. Felicidade, S. Adriano, S. Moses, S.Agostinho, S. Atanásio, S. Marcelino de Cartago, S. Bakita, S. Frumencio, S.Cipriano, S.Pedro Claver, S.Sara Kali, Santos Timóteo e Maura...


Fontes :- 
* Wikipedia
* http://diadelaetnia.homestead.com/Santoafricanos.html
* www.wikiwand.com


Livros :- 
* http://www.journalofafricancivilizations.com/product/APEEPE-001
* http://www.amazon.com/African-Presence-Europe-Journal-Civilizations/dp/0887386644


por Mãe Dinah D'Iansã

quinta-feira, 28 de abril de 2016

::: ADJA na Umbanda e Candomblé

28/04/16

Adjá, Ajá, Ààja, Adjarin, palavra do dialeto yoruba e Trigan no dialeto kimbundo/bantu, designam um instrumento folclórico afro-brasileiro, ideofônico tendo o formato de câmpula podendo ser simples, dupla ou tripla. Também conhecido como campa ou sineta, pode ser confeccionado em latão, aço, dourado ou prata e cobre. É sagrado às religiões de matriz africanas e é consagrado ao orixá da casa ou do dirigente espiritual. 

Cada orixá possue seu metal. O prata é consagrado à Oxalá, Obaluaiê e Iemanjá. O dourado à Oxum, Oxumaré e Oxossi. O cobre à Xangô, Oyá e Obá. 



O número de câmpula também designa a qual orixá  pertence, como:
- para chamar Exú 01 câmpula;
-para orixás masculinos 02 câmpulas;
- 03 para todos os orixás utilizado pelo babalorixá;
- 04 para todos os orixás utilizado pelas yalorixás e ekedis;

Na Umbanda e Candomblé este instrumento é um propagador de energia utilizado em vários momentos:

 - no desenvolvimento mediúnico = utilizado para aproximar a entidade ou orixá, onde ocorre o desligamento parcial ou total do Eu consciente para a concentração para o Eu espiritual.
- nas oferendas, fundamentos e amacis = Serve para pedir Agô (licença), chamar o mensageiro/ orixá e concentrar a energia.
- para abençoar os filhos;
- para limpeza e energização do gongá.

Na Bahia (Candomblé), também é conhecido como Xere e em Pernambuco, no Xangô, além de invocar os orixás é utilizado para chamar os crentes para o ritual, acompanhar as danças e atabaques, também para saudar e concentrar a energia; e durante a dança com a ekedi o som serve para guiar o orixá. 


O adja em seu processo de imantação recebe o "poder" de quando tocado acima da cabeça de um filho (médium) provocar o transe, pois de Exú à Oxalá, todos respondem ao chamado deste instrumento litúrgico. 

Visto a sua importância, na Umbanda só pode ser utilizado pelo dirigente espiritual ou alguém preparado e de sua confiança. 


No Candomblé não podem ser manuseados pelos yawos ou muzenzas ou menores de 7 anos e os não iniciados na religião. O iniciado não autorizado ao manuseá-lo imediatamente é tomado pelo seu santo, pois desde de seu primeiro bori até sua iniciação o reconhece como um chamado. Aos 7 anos e quando recebe o direito do manuseio, o seu santo é chamado para a "quebra de quizila" reconhecendo assim o novo direito do seu filho.



Fonte:-
- Texto de Davi P. Bucheb;
- Tatetu Nkisi Odemutaloio (Sérgio Silveira);
- Enciclopédia da Música Brasileira.



* por Mãe Dinah D'Iansã



domingo, 9 de agosto de 2015

::: ABAYOMI

09/08/15
Quando os negros vieram para o Brasil como escravos, atravessaram o Oceano Atlântico numa viagem muito difícil a bordo dos tumbeiros – navio de pequeno porte que realizava o transporte de escravos entre África e Brasil. As crianças choravam assustadas, porque viam a dor e o desespero dos adultos. As mães negras, então, para acalentar suas crianças, rasgavam tiras de pano de suas saias e faziam bonecas com elas para as crianças brincarem. Essas bonecas são chamadas de Abayomi.

Quando você dá uma boneca Abayomi para alguém, esse gesto significa que você está oferecendo o que você tem de melhor para essa pessoa. A palavra Abayomi, do ioruba, uma das maiores etnias do continente africano cuja população habita parte da Nigéria, Benin, Togo e Costa do Marfim e significa aquele que traz felicidade e alegria. Quer dizer encontro precioso: abay = encontro e omi = precioso.

As Abayomi são pequenas bonecas pretas, feitas de pano e sem costura alguma, apenas com nós ou tranças. Não possuem demarcação de olho, nariz nem boca, isso para favorecer o reconhecimento das múltiplas etnias africanas. Inspirado pela tradição dessa arte histórica, a artesã e arte-educadora Cláudia Muller desenvolveu um trabalho único, e, com o objetivo de evidenciar a memória e identidade popular do povo brasileiro, valorizando a diversidade cultural que reina na terra brasilis, criou o projeto Matintah Pereira. A iniciativa produz versões próprias das Abayomi e promove oficinas tanto para ensinar o processo de criação quanto para discutir a importância histórica e social entorno das bonecas.

“Tenho como objetivo ofertar às pessoas e instituições a possibilidade de criar algo novo, a partir de ações comunitárias que além de ensinar um ofício podem informar um pouco mais sobre a cultura afro-brasileira”. Ao longo de sua trajetória Cláudia sempre se mostrou preocupada em evidenciar as tradições que compõem o universo do negro brasileiro e também das  lendas que permeiam o imaginário popular nacional. Tais intenções podem ser percebidas já no nome de sua empresa, Matintah Pereira, que como a artista pontua, é uma lenda oriunda da floresta Amazônica.

“Contam os ribeirinhos que a Matintah é uma feiticeira anciã. Seus trajes são negros retalhos esfarrapados, que também adornam sua cabeça, cobrindo seus longos cabelos brancos. Dizem que ela é sábia conhecedora de todas as floras medicinais, e que as manipula divinamente”, explica a artista baseada atualmente em São Vicente, cidade do litoral sul de São Paulo. A produção de Cláudia Muller é integralmente sustentável. Para a confecção, ela faz uso de elementos de origem 100% natural, como tecidos de fibra de algodão, corantes naturais à base de pigmentos extraídos de cascas, folhas, flores e sementes, além de essências e óleos naturais da Amazônia.

“No início do projeto, trabalhando na confecção das bonecas Abayomi, senti a necessidade de explorar outros recursos para encontrar um diferencial do produto. Pesquisei em livros e na mídia eletrônica a história da boneca de pano, sua origem e como ela é conhecida em diversas culturas. Com isso, percebi que não há como diferenciá-las, pois todas têm o mesmo propósito, que é acalentar a quem se presenteia. Por esse motivo, passei a vincular sua modelagem e estrutura de acordo com diversas propostas ligadas ao desenvolvimento social e cultural,” pontua. Com educação correndo nas veias, Muller não demorou muito para pensar oficinas visando passar para os pequenos tudo que envolve este trabalho artesanal. Com aproximadamente uma hora de duração, as aulas promovem um casamento entre criação e tradição. Ou seja, ao mesmo tempo que ensina os participantes a produzir pelo menos uma peça, Cláudia não deixa de lado a história que envolve as Abayomi, sempre preparando uma trilha sonora especial para os cursos, composta por ritmos e sonoridade que remetem a manifestações culturais diversas.

Lena Martins, Movimento Negro e o começo de tudo Cláudia Muller também se inspirou no trabalho da pioneira quando o assunto é Abayomi, Waldilena Martins, ou Lena Martins para os mais chegados. Educadora popular e militante do Movimento das Mulheres, ela liderou a confecção das bonecas no Brasil no final dos anos 1980, ao mesmo tempo em que o Movimento Negro organizava uma marcha para lembrar os 100 anos da abolição. Em um cenário em que a questão ecológica estava se popularizando, o objetivo de Lena era fazer da arte popular instrumento de conscientização e sociabilização. Não demorou para que o trabalho fizesse sucesso e chamasse a atenção de mulheres espalhadas pelos quatro cantos do país. A aceitação foi tanta que em 1988 foi criada no Rio de Janeiro a Cooperativa Abayomi, plataforma fundamental para o fortalecimento da autoestima e reconhecimento da identidade afro-brasileira.

Por meio de um trabalho social e humanitário, a Cooperativa Abayomi está em constante diálogo com os movimentos negros, estudantil, sindical e religioso. O projeto faz parte da rede nacional contra a violência à mulher e da rede de mulheres negras latino-caribenhas. Integram o time da Cooperativa Abayomi mulheres educadoras, psicólogas, terapeutas, que juntas organizaram um grupo de trabalho baseado na conscientização e socialização do indivíduo.

A partir de todos estes elementos é possível ter uma dimensão da importância das bonecas Abayomi para história do Brasil e sua relação com o continente africano. Além de serem encantadoras, elas se colocam como elemento de afirmação das raízes da cultura a brasileira e também do poder e determinação das mulheres negras.









::: Fonte:

- Espaço Cultural Conselheiro Paschoal Cittadino - Cooperativa Abayomi
- Afreaka
- Youtube
- Blog da Profa. Jack






terça-feira, 28 de abril de 2015

::: UBUNTU pra Você! :::

28/04/15



UBUNTU PRA VOCÊ !


Um antropólogo estava estudando uma tribo na África, chamada UBUNTU e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta para casa. Como tinha muito tempo, propôs uma brincadeira para as crianças. 

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore. Daí ele chamou as crianças e combinou com elas para fazerem uma corrida até a árvore. A criança que chegasse primeiro ganharia todos os doces.



As crianças se posicionaram na linha de partida que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "Já", imediatamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção ao cesto. 

Chegando lá, elas começaram a distribuir os doces entre si e a comerem, felizes. O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou por que elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ter ficado com tudo o que havia no cesto? Elas simplesmente responderam: - Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras ficassem tristes?

Ubuntu é uma uma filosofia presente em vários países da África cujo foco é a relação entre as pessoas. A palavra se reporta ao tradicional idioma banto Ngúni.  Uma tentativa de tradução para a língua  sou o que sou pelo que nós somos".   Na época de Mandela, Ubuntu era um dos princípios fundamentais da república da África do Sul. Na esfera política esse conceito é utilizado para enfatizar a necessidade da união e do consenso nas tomadas de decisão. Resume-se: Sou quem sou, porque somos todos nós! 


Nelson Mandela explicou a um jornalista que "a tradição africana de Ubuntu é uma verdade universal, é um modo de vida. É um termo que exprime vários significados: respeito, serviço, cuidado, confiança, reciprocidade, desapego... O que não significa que essa gente não deva olhar para si mesma. A pergunta para isto é: Desejas fazer algo para tomar parte de tua comunidade e, assim, melhorá-la? Entrar em contato com outra pessoa ou com uma comunidade, de um modo autêntico, libera a mais poderosa energia no planeta. Essas são as coisas importantes da vida".


Há uma definição do Ubuntu que seria do arcebispo africano Desmond Tutu: ‘uma pessoa com Ubuntu está aberta e disponível aos outros, sem se preocupar em julgar os outros como bons ou maus, consciente de que ela faz parte de algo maior e é tão pequena quanto os seus semelhantes que são humilhados, torturados e oprimidos’.

O desportista sul africano Fraçois Louw (1985) sugere que o conceito do Ubuntu define um indivíduo pela sua relação com os outros, e enfatiza a importância do conceito religioso fundamentado na máxima Zulu “umuntu ngumuntu ngabantu “ (‘uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas’).

"Procure lembrar – diz um texto que divulga Ubuntu – que deve haver mais coisas que nos unem do que nos separam, e começar com aquilo que nos une é uma boa maneira de iniciar um diálogo e, portanto, uma possibilidade de mudança".

Jorge Bender, missionário franciscano argentino, explica, em seu livro “Africa no me necesita: yo necesito de Africa”:  “Uma pessoa se faz humana por meio de outras pessoas (sou porque vocês são).  Uma pessoa com Ubuntu é aquela que se alegra quando a outra se sai bem em  lguma  coisa. Muitas tribos africanas pensam que cada pessoa decresce quando   outras pessoas são humilhadas, quando outros são menosprezados ou oprimidos. Oxalá nos contagiemos um pouco deste conceito da ética africana e deste modo de pensar para superar o individualismo em que vivemos” . 




Fonte: 
- Espaço POESE






::: Livro de Escravo é traduzido

28/04/15


Livro de escravo que viveu no Brasil é traduzido por historiador


Mahommah Gardo Baquaqua foi o único escravo a trabalhar no Brasil a escrever uma autobiografia e virou símbolo da luta abolicionista no mundo 

Do norte da África, passando por Recife, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, até se libertar da escravidão em Nova Iorque no ano de 1847. Assim foi uma parte da jornada de Mahommah Gardo Baquaqua, único escravo que passou pelo Brasil a ter escrito uma autobiografia.

“Uma interessante narrativa: biografia de Mahommah G Baquaqua”, em tradução livre, foi escrita em inglês e lançada pelo próprio Baquaqua em 1854 na cidade estadunidense de Detroit para arrecadar fundos para a campanha abolicionista.

O historiador Bruno Véras, com o apoio do Ministério da Cultura e do Consulado do Canadá, onde estão os originais da obra, estudou a publicação que deve ser traduzida para o português até o final de 2015, segundo noticiou o Jornal O Globo.

“Baquaqua sempre foi um personagem que me intrigou. Ele escreveu a única autobiografia de um africano escravizado em terras brasileiras. Apesar disso, ele não é conhecido em nossa História nem em nossos livros didáticos”, contou Verás em entrevista ao jornal carioca.

A história de Baquaqua começa onde hoje é o norte de Benin. Filho de um comerciante, ele estudou em uma escola islâmica e aprendeu a ler e adquiriu conhecimentos em matemática. Foi escravizado pelo Império Ashanti, pois trabalhava em uma rota comercial onde vendia especiarias. Tempos depois seu irmão o comprou, mas ele foi pego novamente e enviado para o Brasil.

Sua obra conta com detalhes como era o tratamento dos escravos desde a entrada nos navios negreiros até como os escravos os tratavam em terras brasileiras. "Meus companheiros não eram tão constantes quanto eu, sendo muito dados à bebida e, por isso, eram menos rentáveis para o senhor. Aproveitei disso para procurar elevar-me em sua opinião, sendo muito prestativo e obediente, mas tudo em vão; fizesse o que fizesse, descobri que servia a um tirano e nada parecia satisfazê-lo. Então comecei a beber como os outros e, assim, éramos todos da mesma laia, mau senhor, maus escravos", conta em uma passagem.

Quando saiu do Recife e foi para o Rio de Janeiro, seus conhecimentos em matemática e literatura fez com que ele atuasse dentro de um navio de comércio de charque entre a capital e o Rio Grande do Sul.

Em uma encomenda de café que tinha como destino Nova Iorque, Baquaqua conta que um inglês ensinou a palavra “liberdade” a ele e dois companheiros a bordo, já que os Estados Unidos já haviam abolido a escravidão. Ele tentou fugir do navio e acabou preso, mas com a ajuda de abolicionistas locais, conseguiu escapar da prisão e ir rumo ao Haiti.

O último local que se teve notícias dele foi na cidade inglesa de Liverpool, em 1857, provavelmente por conta de seu engajamento na luta abolicionista.


Fonte:
- Jornal Brasil de Fato




terça-feira, 20 de janeiro de 2015

::: 20 de Janeiro - Oxossi


No dia 20 de janeiro, “Dia de São Sebastião”, devido ao sincretismo, a Umbanda homenageia o orixá Oxóssi.
Na Umbanda ou no Candomblé Oxossi é o grande caçador.

Oxóssi é o orixá da caça, florestas, dos animais, da fartura, do sustento. Está nas refeições, pois é quem provê o alimento. É a ligeireza, a astúcia, a sabedoria, o jeito ardiloso para capturar a caça. É um orixá de contemplação, amante das artes e das coisas belas. É o caçador de axé, aquele que busca as coisas boas para um ilé, aquele que caça as boas influências e as energias positivas.

Oxóssi é a vontade de cantar, de escrever, de pintar, de esculpir, de dançar, de plantar, de colher, de caçar, de viver com dinamismo e otimismo.

África - Pierre Verger, em seu livro Orixás, diz que o culto de Oxóssi foi praticamente extinto na região de Ketu, uma vez que a maioria de seus sacerdotes foram escravizados, tendo sido enviados à força para o novo mundo ou mortos. Aqueles que permaneceram em Ketu deixaram de cultuá-lo por não se lembrarem mais como realizar os ritos apropriados ou por passarem a cultuar outras divindades.

Brasil - Durante a diáspora negra muitos escravos que cultuavam Oxóssi não sobreviveram aos rigores do tráfico negreiro e do cativeiro, mas, ainda assim, o culto foi preservado no e em Cuba pelos sacerdotes sobreviventes e Oxóssi se transformou, no Brasil, num dos orixás mais populares, tanto no Candomblé, onde se tornou o rei da nação Ketu, quanto na Umbanda, onde é patrono da linha dos caboclos, uma das mais ativas da religião. 

Seu habitat é a floresta e é simbolizado pela cor verde na Umbanda. E por isso, os caboclos usam roupas, guias e contas confeccionadas nessas cores, e ainda podem incluir elementos que recordem a floresta, tais como penas e sementes. 


- Saudações: Òké Aro!!! Arolé! 

- Cores: Candomblé – Azul Turquesa / Umbanda – Verde 
- Dia: Quinta feira 
- Elemento: Terra 



- PRECE A OXÓSSI -

Oh grande caçador!
Guerreiro de uma única flecha
Rei das Matas, Rei da Umbanda
Pai da Inspiração e da Esperança
dê-me as bênçãos da prosperidade e
inspira-me em pensamentos do bem
Ajuda-me no sustento da minha fé,
a fim de que possa cumprir
com minhas obrigações e
meus deveres neste mundo
Indica-me com sua flecha sagrada
os verdadeiros caminhos da prosperidade
Dê-me tranquilidade para superar todas
as ingratidões e calúnias!
Dê-me coragem para transmitir uma palavra
de alento e conforto 
áqueles que sofrem de enfermidades
para as quais, na matéria, não existe cura!
Dê-me força para repelir os que desejam vinganças e
querem a todo custo magoar seus semelhantes!
Dê-me, enfim, a graça da humildade e da fé!

 OKÊ, ARÔ OXÓSSI!


 Fontes:
 - Candomblé – o mundo dos Orixás 
- Wikipédia 
- Juntos no Candomblé 
- Portoweb – datas comemorativas


 Saravá à todos!
 Mãe Dinah D'Iansã
 20/01/15

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

::: A Musicalidade na Umbanda



Workshop Gratuito
 ::: A MUSICALIDADE NA UMBANDA ::: 

O Aldeia do Caboclo Pedra Preta tem a imensa alegria de convidá-los para o Workshop Gratuito "A MUSICALIDADE NA UMBANDA", administrado pelo Alabê Sandro Mattos da APEU/ SP. 

Se realizará na sede do Aldeia, no dia 31 de Agosto/14, das 10:00 às 15:00 horas. Pedimos a gentileza de confirmarem presença, pois será servido almoço. 

Sejam todos bem vindos!!
Saravá!!




segunda-feira, 14 de julho de 2014

::: A origem do nome CANDOMBLÉ


14/07/14

“KA NZO NDOMBE”!!!
“KA NDOMBE”!!!
“CANDOMBLÉ”!!!

   A origem do nome “CANDOMBLÉ”    


Primeiramente temos compreender o motivo que fez com que essa expressão fosse escolhida para denominar a Religião dos Deuses Africanos no Brasil sendo essa denominação desconhecida em terras yorùbá. Vale salientar que esse termo surgiu na Bahia, sendo que em outros Estados, o “Candomblé” originalmente recebeu outras denominações. Exemplificamos com o “Xangô” (Recife) ou Batuque (Rio Grande do Sul).

Há algumas teorias para a etimologia do termo “Candomblé”. Para nós, o que parece fundamentalmente plausível é que a expressão seja a corruptela de uma frase do idioma Kimbundo, falado em Angola por milhões de pessoas. A frase seria: “Ka Nzo Ndombe”.

“Ka Nzo Ndombe” significa em Kimbundo “Pequena Casa de Negros” ou “Pequena Casa de Nativos”. O “Ka” é utilizado como diminutivo. “Nzo” significa “Casa” (vide o nome de diversos Terreiros de origem Angola, que carregam em seus nomes a palavra “Nzo”) e por fim, “Ndombe” (Negro/Nativo).

Assim, acreditamos que o “Ka Nzo Ndombe” tornou-se “Ka Ndombe”, até popularizar-se como conhecemos e falamos hoje “Candomblé”.

Desse modo, não é difícil imaginar um grupo de negros provindos de Angola, dizer: “Vamos ao Ka Nzo Ndombe”. Afinal, eles deixaram como herança para o português do Brasil, uma infinidade de termos e expressões que tem na sua origem, o Kimbundo. Exemplificamos: “Marimbondo”, “Quitanda” (Kitanda), “Farofa” (Falofa) e tantas outras palavras.

Também não é difícil de imaginar, que nos primórdios do Candomblé na Bahia, os lugares de louvação aos Deuses Africanos fossem casebres em lugares distantes do comércio, onde se agrupavam os negros nativos, ou seja, “Ka Nzo Ndombe” (Pequena Casa de Negros/Nativos).

Mas fica a questão da razão da utilização de um termo Kimbundo para nomear uma religião, não somente dos negros de Angola, mas Yoruba, Dahome (Jeji), Egba, etc. Sobre isso, é importante destacar que no Brasil, originou-se um fenômeno de irmandade e de laços étnico-religiosos que no continente africano, a princípio era inexistente. Inexistente por questões como a distância física entre Angola e Nigéria (mais de 2 mil quilômetros), bem como, as disputas territoriais entre Nigéria e Dahome (Benin). Esse conglomerado religioso e de respeito mútuo emergente no Brasil, dificilmente pode ser imaginado no continente africano.

Isso é, sem dúvidas, um aspecto cultural que nos diferencia. Esse respeito e ligação entre os povos são identificados igualmente em alguns cânticos. Basta observar, como exemplo, aquele que se tornou um hino no Brasil para as casas de origem Yorùbá, que diz que os Filhos do Alaketu (Rei de Ketu) devem-se abraçar (...Omo Alaketu Famora...)

Essa união ora edificada pelos negros religiosos que aqui se estabeleceram responde a questão do surgimento do termo “Candomblé”, bem como, sua utilização por povos distintos à origem Angola. Mas se a expressão “Candomblé” nasceu no Brasil, qual então é o nome para a religião dos Òrìsàs em terra yorùbá? No ventre da nossa cultura, a Religião dos Òrìsàs é conhecida como “Isese Lagba” (Ixéxé Lagba) ou ainda como “Esin Ibile Yoruba”. 


Fonte:
** Casa de Oxumaré - Ilê Oxumarê - Tradição ancestral com Compromisso social
** Imagem internet






 

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